| História da jangada | ||
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A arte da pesca dos jangadeiros
O trabalho é quase solitário, mas a vista deslumbrante. No balanço das ondas, jangadeiros do Nordeste ganham o sustento e aprendem uma profissão. Na segunda reportagem da série Reis da Vela, o Jornal Hoje mostra que os mais experientes ensinam aos novatos muito mais que os segredos da pesca artesanal. O dia do jangadeiro começa antes do amanhecer. A jangada é preparada no escuro. Ninguém pára para ver o sol nascer. É preciso aproveitar as horas mais frescas porque o trabalho é pesado. Este é o início de uma longa jornada. Os próximos dias serão de muito sol, pouco descanso e nenhum conforto. A ordem é fazer tudo o que o mestre mandar. A autoridade vem da experiência. Foi com mestre José Mauro que o Mirton e o José Maria aprenderam a viver da pesca e a manejar uma jangada. Mestre, qual é a primeira lição que o senhor dá para um pescador novo? “Eu ensino a chegar na embarcação e se livrar de um acidente, ensino a nadar." Só depois os mais jovens aprendem a pescar com duas linhas, uma nas mãos e outra amarrada na perna, para fisgar os peixes maiores. ‘Pega uma cavala de dez quilos, oito ou sete. Serra, graúdo, bonito. Essa linha é para pegar peixe maior. Quando ela pega lá a gente tem que fazer isso pra desatar a perna." Quando as pernas não suportam mais a força do peixe, nem o peso do pescador, o pouco descanso é dentro do casco. Só a exaustão explica o sono num espaço onde é difícil até entrar. Parece uma caverna apertada, escura, quente e com um cheiro que mistura mofo com o suor dos pescadores. “Falar a verdade, não é bom não, mas a gente passa." As jangadas são rudimentares, mas também são versáteis. Navegam em qualquer direção, como veleiros modernos. É assim que os pescadores procuram os cardumes, fogem das tempestades e saem do caminho dos navios. Mas o jangadeiro não pensa muito nos perigos, principalmente na hora do almoço preparado ali mesmo, com água do mar, cardápio à base de peixe e tudo preparado numa lata. “É ligeiro, mais ligeiro que lá em terra.” O negócio do mar é cansativo, perigoso, capaz de matar quem se aventura na águas profundas e de transformar em heróis os que aprendem a dominar as ondas. |
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Avançar
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